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09 junho 2011

Como definir preço justo ao artesanato

Definir o preço da peça que acabamos de fabricar é uma tarefa extremamente complicada para os artesãos. Quando expomos nossos trabalhos em feiras e exposições, a tendência, é seguir uma espécie de tabela, respeitando os vizinhos e buscando pouca variação nos valores.

A prática não está errada e mostra o respeito pelo seu trabalho e também pela produção alheia. Porém, é fundamental descobrir uma forma de praticar o preço justo, considerando uma série de itens básicos.

A primeira preocupação deve ser com os valores dos materiais, portanto, é fundamental buscar lojas especializadas que ofereçam preços baixos na aquisição da matéria prima, ou então, buscar na própria natureza a matéria prima necessária. Lembre-se que até mesmo as peças fabricadas com itens reciclados, deve ter incluso o valor da matéria prima.


Vamos trabalhar com um exemplo hipotético. Se estivermos falando de um brinco confeccionado em biscuit, vamos calcular o valor da matéria prima em 50 centavos, considerando 30 centavos pela massa utilizada na fabricação (Esse valor deve ser definido considerando o peso da peça e o valor por quilo de massa), devemos adicionar nesse calculo o valor percentual da tinta usada para tingir a massa (10 centavos) e também o arame utilizado para detalhes e feiches (20 centavos). Lembre-se que esse é apenas um exemplo.

Se o artesão for habilidoso e conseguir fabricar cem pares de brincos por dia, chegamos a um valor total em materia prima de  R$ 50,00. ​

Agora temos que avaliar a mão de obra. O melhor temometro para esse item é o tempo dispendido, eletricidade e outros recursos que geram custo a longo prazo. Esse valor pode variar de pessoa em pessoa. Use o bom senso e varie o valor da mão de obra entre 50% e 100%, o que eleva o valor de cada brinco entre 75 centavos e R$ 1,00.

Muito bem, chegamos ao valor de custo da peça, esse valor nunca deve ser negociado, qualquer peça vendida abaixo dessa média vai gerar prejuízos.

Se você trabalhar em seu ateliê e comercializar as peças sem necessitar de pausas na produção, distribuindo no atacado, não existe a necessidade de aumentar em muito a margem de lucro, atue com uma média de 30%. O que eleva o valor do brinco para uma média de R$ 1,10 ou R$ 1,30.


​Fatores externos - Agora chegou a hora de calcular os fatores externos, que interferem no preço final da peça. Se o produto for comercializado em estabelecimento padrão, onde se paga impostos, funcionários e comissões é necessário adicionar esse custo ao valor final do brinco, o que pode triplicar o seu preço, elevando o custo para até R$ 4,00.

Se a peça for comercializada em feiras e exposição, é fundamental acrescentar ao valor de custo as despesas de hospedagem, alimentação e em alguns casos o pagamento do ponto. Essa série de itens posiciona o valor do brinco para um custo semelhante ou com pouca variação, dos estabelecimentos comerciais, elevando os valores entre R$ 4,00 e R$ 5,00.

O artesão precisa ter em mente que a produção aliada a métodos e sistemas para o seu escoamento são fundamentais para o sucesso, adianta muito pouco fabricar centenas de pares de brincos e não ter onde vender. em situações como essa, a redução do preço e a oferta para atacado é uma decisão inteligente. Em muitos casos é possível lucrar muito mais apenas produzindo no aconchego de seu atelie e distribuindo no atacado.

Configurar uma tabela no Excell, pode ser uma boa saída para agilizar o calculo dos valores. O método quer apresento no blog é o mesmo que venho utilizando há anos. Existem outras formas e procedimentos para esse calculo.

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